Noite Eterna – Parte 1

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Por Fabiano Coelho, 15 anos

As férias de julho estão acabando… Não sei se estou feliz porque vou rever meus amigos, que não vejo faz quase um mês devido a uma viagem para São Paulo e outra para o Rio, ou estou triste por ter que voltar a estudar. Nunca tive dificuldade no colégio. Brincam até que tenho um Q.I extremamente elevado. Não sei, mas quando um cara passa de ano no meio do ano acho que ele é um pouco mais inteligente que a maioria. Mesmo sendo inteligente não escapo do tédio e da depressão. Nunca tive muitos amigos, a maioria das pessoas fica extremamente irritada com a minha presença. Mas posso lhe garantir que os que eu tinha, eram realmente bons amigos. Outra coisa que me botava muito para baixo era a falta de aventura. Podia ser qualquer tipo de aventura. Uma aventura nas selvas, me tornar algum tipo de herói, ou até mesmo a mais improvável: uma aventura romântica. Nunca fui bom com pessoas, e isso inclui as garotas. Minha vida é um caos calmo, como um mar manso que é cheio de tubarões. Cheia de problemas, mas nada que vale a pena. Adoraria que esses tubarões fossem embora e que minhas águas se agitassem um pouco, mas não acho que isso vá acontecer…

Finalmente as aulas começam. A pior parte não é quando elas começam, é quando elas estão para começar. Sentir toda a excitação e o medo delas estarem começando é muito pior do que quando elas realmente começam. É assim que eu vejo a morte, é como tirar um band-aid. Você sente medo e dor quando se está tirando, mas depois você não sente nada e está livre. Não desejo morrer, só não acho que eu vá me importar tanto quando a hora chegar. Mesmo assim espero que esta hora esteja bem longe desse momento, eu prefiro viver a perder a vida.

Tenho a oportunidade de reencontrar todos os meus amigos. Não vou citar todos porque a maioria não é muito importante para essa história. Mas sempre posso falar do meu maior amigo: Frederico Oliveira . Acho que só temos essa ligação porque somos dois estranhos aos olhos dos outros, ele é do jeito dele e eu do meu. Para sobrevivermos no meio do ecossistema escolar, nos juntamos numa protocooperação. Cada um se alimenta de amizade e proteção um do outro e assim continuamos vivos aqui dentro. Não gosto de ficar entrando nos dramas adolescentes dos outros, mas isso é uma coisa que tem grande importância na história do meu pobre amigo. Fred era terrivelmente apaixonado por uma garota chamada Eliza desde que ela estudava na mesma sala que nós, há dois anos. Meu amigo morria de amor, a garota arranjava um namorado novo todo mês, e nunca era o Fred. Por anos isso se repetiu e ele sempre se manteve fiel a esse amor improvável. Em minha opinião, essa menina é uma vadia e o Fred um idiota que gosta de uma vadia.

A primeira pessoa que eu encontro quando chego à escola é Fred. Faço com ele o percurso em direção à sala de aula e aproveito para botar nossa conversa em dia:

– E aí, Fred! Como vai?

– Bem. Você viajou pra algum lugar? Não consegui falar com você nas férias.

– Eu não tinha te contado que iria para o São Paulo e depois para o Rio?

– Você passou toda suas férias nesses lugares?

– Sim. Passei uma semana em São Paulo e as outras duas no Rio. Minha avó tem uma casa de praia no Rio de Janeiro, por isso não precisamos pagar um hotel e podemos ficar por muito tempo.

–  Ah… Entendi. Eu acabei ficando aqui em mesmo. Relaxando, sabe?

De repente um flash é disparado. Acho que eu sei quem fez isso…

– Foi mal! Esqueci do flash! Posso tirar mais uma foto de “volta às aulas”?

Julia queria tirar mais fotos. Esse hobbie dela sempre incomodou. É uma daquelas pessoas que não são suas amigas, mas grudam no seu sapato.

– Acho que não, não to pra sorrir hoje…

Eu disse para que ela parasse de tirar fotos.

– É exatamente por isso que eu quero tirar! A amargura de voltar às aulas… Isso é arte.

Dizendo isso ela tira mais uma foto. Acho que ela não entendeu o que eu queria passar.

– O que você fez nas férias, Julia?

–  Maldito Fred! Ele não sabe que se ela começar não vai parar nunca!? Porque você foi perguntar? – Pensei MUITO puto com Fred.

– Que bom que você perguntou! Você nem imagina…

o sinal que indica o começo das aulas bate. Que sorte!

– Bem, Fred. Parece que nos temos que ir para não perder a aula… Foi um prazer te reencontrar, Julia. Até mais!

Disse isso de forma estressada e empurrando Fred para longe daquela situação. Acho que Julia sentiu esse stress, fez uma cara feia para mim enquanto eu fugia. Como eu já disse, a maioria das pessoas acha a minha presença irritante. Simplesmente pelo fato de eu ser eu mesmo, e não quem outros queiram que eu seja.

Continua…

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