Noite Eterna – Parte 3

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O tempo passa e eu estou ficando cada vez mais ligado a Mariane. Hoje é dia de receber o boletim. Na minha escola, todas as provas são entregues junto com o boletim, ou seja, ninguém realmente sabe como se saiu até receber essas notas. Um clima de extrema tensão é criado na sala. Minha calma só gera ainda mais nervosismo entre meus colegas, eles sempre tiveram um pouco de inveja a minha facilidade. Sempre estudo pouco e ganho notas boas, isso é outro motivo para que as pessoas se sintam irritadas comigo. Todos recebem as notas. Como já tinha previsto, vou até que bem. Nada abaixo dos 95%. Mas meus colegas não têm a mesma sorte. Ao invés de se esforçar mais o que eles fazem é puxar os que estão na frente para baixo. Sei que iram se afastar mais toda vez que eu tirar uma nota boa, mas não vou dar um tiro no pé por causa deles, eles não valem tanto a pena. Enquanto mais deslocado eu fico da minha turma, mais eu me prendo a minha amada.

Mariane ainda não se classifica como minha. Ela tem agora vários amigos, mas sempre me deu uma atenção um pouco mais especial. Não sei se agora sou somente seu melhor-amigo-gay ou se ela já me considera mais, mas ainda não deu tempo de dar nomes e selar as coisas. Ela ter outros amigos me preocupa um pouco. Digo, não vejo problema nela ter amigos tanto homens quanto mulheres, mas ela anda com uns caras que eu não andaria. Eu não gosto de alguns dos amigos dela. Principalmente Lucas e Rafael. São dois brutamontes do segundo ano. São aqueles caras que acham que o mundo foi feito para eles, e acho que minha Mariane os atraiu.

Um dia Lucas e Rafael resolveram lutar por Mariane. O problema é que eu fui metido dentro da briga por passar tanto tempo com a garota. Não conseguia entender de jeito nenhum o que estava acontecendo. Eles eram até que bons amigos, agora pareciam touros querendo se matar por uma garota. E eu estava no meio do tiro cruzado. Não me importei muito com porquê deles estarem agindo daquela forma. Não queria entrar na briga, mas eu fui desafiado. Não sei se é machismo meu, mas não posso fugir de uma briga, seja qual for. A briga acontece hoje, depois da aula, no mato atrás da escola para que ninguém nos pare. Estou me cagando de medo. Minha primeira reação é ir contar para o Fred.

-Caralho, Fred! – Comecei a falar com o Fred de forma desesperada, os dois caras eram brutamontes.

-Que foi? – Ele me perguntou assustado.

– Eu vou brigar hoje depois da escola.

– O quê?! Com quem? – Ele ficou surpreso com isso mesmo que eu estivesse me mostrando muito agitado. Não costumava brigar muito, a única vez que eu briguei foi jogando Tekken. E perdi.

– Com uns garotos do 2º ano, Lucas e Rafael. – Estava começando a relaxar, mas ainda estava em pânico.

– O quê?! Esses garotos são enormes! E você não sabe brigar! Vai ser um banho de sangue!

– Cara, o que eu faço? Eu não quero fugir da luta, mas também não quero ser espancado.

– Eu não sei, mas vai ser lindo. Esses dois vão te trucidar! Eu queria estar lá para filmar isso. Hahahaha! =Ele falou isso alto demais.

– Isso! Avisa o mundo todo que eu vou apanhar seu vagabundo! – Sarcasmo é uma das minhas marcas.

– Foi mal…

– Espera… Fred! Você é um gênio! Acho que eu sei o que vou fazer pra me proteger. É tão simples. No final da aula me empreste o seu celular. – Eu tenho um celular, mas deixei-o em casa hoje.

A aula chega ao fim. Está na hora de levar a surra da minha vida. Mas eu tenho um plano para que isso não acabe tão mal para mim. Pego o celular do Fred e ligo anonimamente para a polícia. Digo que está havendo uma briga atrás da minha escola no mato. Agora é só rezar para que a polícia chegue antes que eu apanhe. Tempo é tudo aqui.

Vou para o local da briga. Os dois estão lá me esperando, no meio do mato. Tenho que conseguir mais tempo…

– Então… Acho que deveríamos definir as regras, não é? – Tento começar uma conversa para dar o tempo de a polícia chegar.

– Você, putinhas, podem definir o que quiserem… – Lucas puxa uma faca do bolso e avança contra Rafael.

– Mas eu to aqui é pra vencer! – Lucas enfia a faca na barriga de Rafael.

– Que porra é essa! – Eu não posso acreditar que isso ta mesmo acontecendo! E eu sou o próximo! Merda!

Rafael e Lucas agora estão imóveis, assim como eu. Os dois se encaram e esperam para ver um à reação do outro. Rafael está perdendo muito sangue. A faca era longa o suficiente para atingir algum órgão vital, não sabe como essa história vai acabar. Rafael agora arranca a faca de sua barriga e cai sobre Lucas. Os dois caem no chão, e eu continuo paralisado com a cena de horror. Somente Rafael se levanta ainda com a faca em mãos e caminha em minha direção. Olho para Lucas e vejo a abertura no seu pescoço. Rafael cortou sua garganta fora de maneira brutal. E agora esta atrás de mim. Eu sou o próximo.

Eu correria, mas não consigo. O medo é maior que eu. A menos de 2 metros Rafael larga a faca no chão e cai. Acho que ele morreu ou desmaiou. Aproximo-me para confirmar seu estado. Pego a faca no chão no caso dele estar fingindo. É nessa hora que a polícia chega.

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