Noite Eterna – Parte 5

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É claro que eu não vou matar a garota. Não poderia carregar a dor de ser um assassino para o resto da minha vida. Tenho um plano que acho que dará certo, mas preciso que alguém o execute para mim. Se eu mesmo tentasse fazer o que estou planejando os riscos seriam grandes demais. Eu quero seqüestrar Eliza para seu próprio bem. Ela com certeza iria reconhecer meu jeito ou a minha voz, seria morte certa. Estou numa prisão para delinqüentes juvenis, não deve ser difícil encontrar uma pessoa para seqüestrar Eliza para mim.

Faço uma pesquisa entrevistando outros detentos e descubro o que parece ser o homem perfeito para o caso Gustavo. Ele foi preso por assaltar uma loja à mão armada e depois manter dez pessoas de refém por mais de doze horas. E ele fez isso tudo sozinho. Contaram-me que se alguém for fazer o serviço é ele. Ele sempre come sozinho no almoço, essa é a melhor hora para conversar com ele. Pergunto quem ele era e me apontam um jovem de uns dezessete anos. Extremamente alto, em torno de 1,90 metros. E aparentemente forte. Tenho um pouco de medo, mas é esse tipo de cara que procuro. Aproximo-me de sua mesa e me sento. Ninguém comia junto com ele, nunca.

– Ninguém nunca senta perto de mim. – Depois de uma pausa ele continua – As pessoas tem medo de mim, sabe?

– Acho que eles também têm medo de mim. É um bando de medrosos, você não acha?

– Eu acho que eles são inteligentes. Já você…

– Gustavo, certo? Eu precisava da sua ajuda Gustavo.

– Que tipo de ajuda?

– Bem… Eu precisava sequestrar uma garota.

– Há! A situação ta tão ruim assim?

– Acho que você não percebeu, mas só tem homem por aqui…

Gustavo se mostrou extremamente amigável. Sinceramente não esperava isso de alguém como ele. Conto pra ele a minha situação e como eu vou precisar da ajuda dele.

– Acho que eu posso te ajudar. Mas não posso fazer nada preso. Você não concorda?

– Acho que não. Tenho que dar um jeito de tirar você daqui.

– E, além disso, você deve saber que eu não faria uma coisa dessas somente por bondade.

– Qual é o seu preço?

– Que tal 700 reais? Eu faria mais caro, mas se você me tirar daqui fica por esse preço mesmo. Isso tirando os custos que eu vou ter seqüestrando a menina.

– Acho que não estou em posição de negociar. Esse preço é justo. Acho que eu sei onde eu posso arranjar o dinheiro.

– Boa sorte com isso. Quando você tiver alguma idéia de como sair dessa gaiola, me avise. Não posso esperar pra dar o fora daqui.

– Só me dá um tempo, ok?

– Eu tenho todo o tempo do mundo. Cinco anos!

Foi assim que criei meu primeiro amigo na prisão. Mas eu não estava nem no meio do caminho. Tenho muito a fazer para que isso tudo dê certo.

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