Noite Eterna – Parte 7

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Agora estou fora da prisão. Tenho minha liberdade, mas não tenho para onde ir. Só penso em um lugar. Não tenho certeza se serei aceito de volta, mas tenho que

ir para minha casa. É o único lugar que posso arranjar roupas, comida e dinheiro para pagar o Gustavo e me sustentar. Espero que minha mãe me receba. Ela… Ela é a única pessoa que me sobrou. Consigo uma carona com um caminhoneiro. Se ele não desse a carona ou tenta-se se voltar contra mim e o Gustavo seria morto pelas mãos do meu gigante, mas felizmente ele nos dá carona sem estranhar nossas roupas de prisioneiros. Chego em casa sem avisar e aperto a campainha. Minha mãe abre a porta e se assusta com a minha presença como se eu fosse um fantasma que volta a assombrá-la. Mas eu sou seu filho e ela como mãe tem que me acolher. Eu sei que ela se sente assim. Fiz muita besteira durante minha vida e ela sempre esteve do meu lado. Ela me deixa entrar em casa com meu novo amigo. Minto como escapei da prisão. Não digo que participei do motim na prisão, digo que só aproveitei desse motim para fugir. Ela tenta me convencer a voltar, mas falo que consegui arranjar um jeito de comprovar minha inocência e que ela precisa acreditar em mim. Peço o dinheiro sem falar como vou gasta-lo. Digo que vou conseguir minha absolvição, mas que ela vai precisar confiar  cegamente em mim. Primeiro ela reluta, mas finalmente me diz que vai me dar o que eu preciso. Ela sai para pegar o dinheiro no banco. 900 reais. 700 para pagar Gustavo e 200 para que eu possa alugar um hotel e ficar nele até me resolver tudo. Não posso ficar em casa. Esse é o primeiro lugar que a policia vai me procurar. Enquanto minha mãe vai buscar o dinheiro no banco eu arranjo roupas para mim e para Gustavo e reviso o plano para seqüestrar Eliza.

– Muito bem, Gustavo. Vamos repassar como você vai fazer tudo, ok? -Começo a explicar meu plano. – Em novembro do ano passado eu fui para a festa de aniversário de Eliza. Nessa festa eu acabei encontrando um buraco na cerca dela, no quintal. – Pego papel e começo a desenhar o terreno para Gustavo. Lembro-me perfeitamente da geografia de sua casa e não acho que ela deva ter consertado a falha na cerca, ela estava muito bem escondida nos arbustos. Felizmente sempre tive um espírito aventureiro e explorador e as minhas manias estavam dando retorno. -Ela mora nesse endereço. – Mostro para ele o convite que tinha guardado por tanto tempo. _ Você não vai poder ficar com o convite. Por isso você deve anotar o endereço em uma outra folha.  Você vai entrar pela falha na cerca. Depois você pode entrar na casa dela pela porta dos fundos. Na festa a fechadura foi quebrada. Suba as escadas e vá para a direita, você irá encontrar o quarto dela. É só imobilizá-la e seqüestrá-la. Os pais dela ficam no quarto à esquerda. Não erre o quarto e tente não fazer barulho. Só entre na casa quando você souber que todos estão dormindo…

– Calma. Eu não sou retardado. Já fiz coisa parecida antes, ok? Já roubei a casa de um cara enquanto ele estava dormindo. Eles não vão me perceber. Vou usar clorofórmio pra ter certeza que ela não vai acordar, eu sei com quem eu posso conseguir. Relaxa, eu dou conta do recado.

– Foi mal, cara. To meio estressado. Não que eu duvide da sua habilidade, mas… Isso não pode dar errado.

– Não se preocupe. Eu dou um jeito em tudo. Depois eu te ligo no celular pra confirmar que deu tudo certo.

– Você é realmente um bom amigo. Mesmo assim sabe que não posso confiar totalmente em você, não é?

– Como assim?

– Eu vou te dar metade do dinheiro agora e metade depois. Só negócios, espero que você não leve pro lado pessoal.

– Relaxa, cara. Eu entendo. Pode contar comigo. Depois eu te ligo. Por quanto tempo você pretende deixá-la presa?

– Só uns dois dias. Você já tem uma idéia de onde vai deixá-la?

– Eu sei de um lugar. Então daqui dois dias eu a solto na rua e venho pegar o resto do meu dinheiro, certo?

_ Certo.

Minha mãe chega com o dinheiro. Enfio meu desenho no bolso para queimar depois. Ela me dá o dinheiro quase chorando e pede para que eu vá logo. Dou metade do dinheiro para Gustavo sem que ela veja.

– Então eu acho que já vou indo. Até mais. Tome aqui seu convite de volta. Eu já anotei o endereço e vou agora mesmo pra lá.

– Então ta. Até mais, amigo!

_- Até! _ Gustavo foi embora para sua missão. A sua ajuda é essencial. Mestre nas artes do crime ele é vital para que isso tudo funcione. Nem sei como conseguiram pegar ele. Ele é realmente de impressionar!

Arrumo minhas coisas e vou embora também. Ligo para Júlia para falar que o assassino está solto para matar sua inimiga. Hospedo-me em um hotel não muito longe da minha casa. Quando chego lá ligo para  Tenho dificuldade de dormir. Nada pode me consolar, agora sou um criminoso. Lavo meu nome com sujeira, mas é o único jeito. Agora é só esperar.

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