Noite Eterna – Parte 8

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Acordo com o meu celular tocando, atendo e ouço a voz de Júlia me dando parabéns:

– Já leu o jornal hoje?

– É claro que não, são ainda 6 e caralhadas da manhã! – Digo segurando o despertador que ainda não tocou.

– Você sempre me pareceu do tipo folgado…

– O que é que têm no jornal?

– O que você acha? Parabéns, você é a porra de um bastardo egoísta e sem coração!

– Vai se fuder! Eu odeio você falando em enigmas!

– Parece que seu amigo fez o trabalho. Eu vou deixar que você leia tudo no jornal, eu odiaria ser uma “spoiler”.

– Então tá tudo feito? Isso quer dizer que você vai me entregar o vídeo?

– Claro! Pode vir pegar na minha casa quando quiser. Sugiro que seja rápido. Parece que a polícia está fazendo vista grossa nas ruas por causa da fuga de prisioneiros juvenis ontem.

– Então eu já vou indo. Valeu, tchau!

Desligo o celular e coloco minha roupa. Por que será que Gustavo não me ligou para falar como foi o sequestro? Isso é estranho, mas não importa muito. O que importa é que eu vou conseguir provar a minha inocência com esse vídeo. Ligo para a recepção do hotel e peço que eles me chamem um táxi. A polícia deve trabalhar menos pela manhã, esse é o melhor momento pra circular por aí.

Dou ao taxista um bom dia e o endereço de Júlia. No caminho fico pensando se ela tinha mesmo esse maldito vídeo ou se é só uma emboscada. Ela acha que já conseguiu o que queria agora ela só precisaria me mandar de volta pra prisão e viver a vida dela como se nada tivesse acontecido. Como ela disse, eu sou só um peão e não posso saber a verdade. Mas não acho que ela esteja me enganando, eu a conheço. E se ela estiver, é bom que esteja preparada para uma boa vingança.

Chego aos portões da casa de Júlia. Ligo pra ela que, em dois minutos,  já desceu. Não vejo nenhum policial pra dar o bote. Acho que ela pode mesmo ter esse vídeo.

Ela resolve não ultrapassar os limites do portão de barras que nos separa.

– E então? E o vídeo?

– Tá aqui.  Ela entrega um disco DVD para mim.

– E como é que eu vou saber que é real? E se eu mostrar essa merda pro delegado e começar a passar os teletubies?

– Também trouxe um DVD player portátil se você quiser comprovar que ele é real. – Ela passa o aparelho pelas barras e o entrega para mim.

– Por que você não sai daí? Tá com medo de mim?

– Não… É que eu não tenho permissão para sair de casa. Quando te visitei na prisão tive que fazer escondida.

– Há! Parece que você está muito mais acostumada com as barras que eu!

– Só roda logo essa merda, detento.

Aperto o play e tenho a chance de reviver aqueles terríveis momentos. Essa garota tem que ter muito sangue frio pra conseguir segurar a câmera enquanto todo mundo tá se matando. Eu posso me ver no vídeo… me cagando de medo, paralisado, quase chorando. Essa garota é um demônio.

– Legal… – Guardo o vídeo no bolso e devolvo o DVD player para ela. – Agora, Sra. Júlia, eu queria te contar a verdade.

– Como assim?

– Sabe a Eliza? Ela está vivinha da silva. Meu amigo, Gustavo, só sequestrou ela. Ninguém morreu nessa jogada. Você é que foi burra demais e me deu o vídeo de mão beijada. Agora, quem é que é o peão aqui?

– Seu amigo Gustavo? Você se refere ao garoto encontrado morto no quarto de Eliza, junto ao corpo dela? Acho que você não leu o jornal…

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